quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para o pessoal que está "À RASCA" leiam, por favor.


Este texto não é meu.... encontrei-o num blog... achei que estávamos todos a precisar de ler isto!
  
A geração dos meus pais não foi uma geração à rasca.
Foi uma geração com capacidade para se desenrascar.
Numa terriola do Minho as condições de vida não eram as melhores.
Mas o meu pai António não ficou de braços cruzados à espera do Estado ou de quem quer que fosse para se desenrascar.
Veio para Lisboa, aos 14 anos, onde um seu irmão, um pouco mais velho, o Artur, já se encontrava.
Mais tarde veio o Joaquim, o irmão mais novo.
Apenas sabendo tratar da terra e do pastoreio, perdidos na grande e desconhecida Lisboa, lançaram-se à vida.
Porque recusaram ser uma geração à rasca fizeram uma coisa muito simples.
Foram trabalhar.

Não havia condições para fazerem o que sabiam e gostavam.
Não ficaram à espera.
Foram taberneiros.
Foram carvoeiros.
Fizeram milhares de bolas de carvão e serviram milhares de copos de vinho ao balcão.
Foram simples empregados de tasca.
Mas pouparam.
E quando surgiu a oportunidade estabeleceram-se como comerciantes no ramo.
Cada um à sua maneira foram-se desenrascando.
Porque sempre assumiram as suas vidas pelas suas próprias mãos.
Porque sempre acreditaram neles próprios.

E nós, eu e os meus primos, nunca passámos por necessidades básicas.
Nós, eu e os meus primos, sempre tivémos a possibilidade de acesso ao ensino e à formação como ferramentas para o futuro.
Uns aproveitaram melhor, outros nem tanto, mas todos tiveram as condições que necessitaram.
E é este o exemplo de vida que, ainda hoje, com 60 anos, me norteia e me conduz.

Salvaguardadas as diferenças dos tempos mantenho este espírito.
Não preciso das ajudas do Estado.
Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.
Não preciso das ajudas da família que também têm as suas próprias vidas.
Não preciso das ajudas dos vizinhos e amigos.
Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.

Preciso de mim.
Só de mim.
E, por isso, não sou, nunca fui, de qualquer geração à rasca.
Porque me desenrasco.
Porque sempre me desenrasquei.

O mal desta auto-intitulada geração à rasca é a incapacidade que revelam.
Habituados, mal habituados, a terem tudo de mão beijada.
Habituados, mal habituados, a não precisarem de lutar por nada porque tudo lhes foi sendo oferecido.
Habituados, mal habituados, a pensarem que lhes bastaria um canudo de um qualquer curso dito superior para terem garantida a eterna e fácil prosperidade.
Sentem-se desiludidos.

E a culpa desta desilusão é dos "papás" que os convenceram que a vida é um mar de rosas.
Mas não é.
É altura de aprenderem a ser humildes.
É altura de fazerem opções.
Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não encontram emprego "digno".
Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não conseguem ganhar o dinheiro que possa sustentar, de imediato, a vida que os acostumaram a pensar ser facilmente conseguida.
Experimentem dar tempo ao tempo, e entretanto, deitem a mão a qualquer coisa.
Mexam-se.
Trabalhem.
Ganhem dinheiro.

Na loja do Shopping.
Porque não ?
Aaaahhh porque é Doutor...
Doutor em loja de Shopping não dá status social.
Pois não.
Mas dá algum dinheiro.
E logo chegará o tempo em que irão encontrar o tal e ambicionado emprego "digno".
O tal que dá status.

O meu pai e tios fizeram bolas de carvão e venderam copos de vinho.
Eu, que sou Informático, System Engineer, em alturas de aperto, vendi bolos, calças de ganga, trabalhei em cafés, etc.
E garanto-vos que sou hoje muito melhor e mais reconhecido socialmente do que se sempre tivesse tido a papinha toda feita.

Geração à rasca ?
Vão trabalhar que isso passa. 


6 comentários:

Martinha disse...

Tem mesmo toda a razão. Claro que a situação no nosso país não anda nada famosa. Mas se nos queremos fazer à vida, temos que trabalhar, que nos mexermos por nós mesmos, não esperar que nos seja dado tudo de mão beijada.

ButterFly disse...

Concordo plenamente com este senhor....Canudo? e depois...Quando falta o pão à mesa se calhar até a caixa do supermercado serve.

A geração à rasca é à rasca porque muitos se fazem à rasca

ButterFly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Filipa disse...

Sou capaz de concordar com isso :)

Lu disse...

Sim, a culpa é mesmo essa..terem tudo de mão beijada. Terem um carro aos 18 anos, ainda não têm carta e já têm carro. É não poderem apanhar o autocarro para a escola pq lá vao os "pobres"..É tudo muito bonito, mas nunca se culpam..como eu concordo com isto.

Corina de Oliveira disse...

Concordo em parte... não concordo com a parte do agarrar qualquer coisa. Claro que se não encontrar trabalho na sua área, terá que ser mas estar 4/5 anos a tirar uma licenciatura, gastar rios de dinheiro aos pais (incluindo o próprio Estado) para no final um enfermeiro/psicólogo/engenheiro/arquitecto ir trabalhar para o Continente. Não estou a dizer que não é um trabalho digno, mas é triste. Temos as ideias fresquinhas, queremos trabalhar, mostrar o nosso potencial. Além de que... vamos estar a tirar trabalho a quem não tem uma licenciatura, que também precisa dele. É uma bola de neve.

Resumindo, eu substituia o "agarrar qualquer coisa" com o "ir à descoberta". Na geração dos pais desse blogueiro (incluindo os meus) foram a geração emigrante, que voltará acontecer na nossa geração...

Beijinhos*